Calendário gregoriano

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Papa Gregório XIII

O calendário gregoriano é um calendário de origem europeia, utilizado oficialmente pela maioria dos países. Foi promulgado pelo Papa Gregório XIII[1] Predefinição:Nwrap a 24 de fevereiro do ano 1582 pela bula Inter gravíssimas em substituição do calendário juliano implantado pelo líder romano Júlio César Predefinição:Nwrap em 46 a.C..[2] Recebe este nome por ser o seu promotor papa Gregório XIII, que promulgou o seu uso através da bula inter gravissimas. A partir de 1582, substituiu gradualmente em diferentes países o calendário juliano, utilizado desde que Júlio César o tinha estabelecido no ano 46 a.C.. O calendário juliano era, no fundo, o calendário egípcio, o primeiro calendário solar conhecido que estabelecia a duração do ano em 365,25 dias.Predefinição:SfnpPredefinição:Efn

Houve duas razões para o estabelecimento do calendário gregoriano. A primeira foi que o calendário juliano presumia incorretamente que o ano solar médio era de exatamente 365,25 dias, uma sobrestimação de pouco menos de um dia por século. A reforma gregoriana encurtou o ano (calendário) médio em 0,0075 dias para impedir que o calendário se desviasse em relação aos equinócios. O segundo deveu-se ao facto de, nos anos que se seguiram ao Primeiro Concílio de Niceia em 325 d.C.,Predefinição:Efn O excesso de anos bissextos introduzidos pelo algoritmo juliano provocou uma tal mudança que o equinócio vernal estava a ocorrer antes da sua data nominal de 21 de Março. Esta data é importante para as igrejas cristãs porque é referenciada no cálculo da Páscoa. Para restaurar a associação, a reforma adiantou a data em dez dias:Predefinição:Efn À quinta-feira 4 de outubro de 1582 seguiu-se a sexta-feira 15 de outubro do mesmo ano. Além disso, a reforma também alterou o ciclo lunar utilizado pela Igreja para calcular a data da Páscoa, uma vez que as luas novas astronómicas estavam a ocorrer quatro dias antes das datas calculadas. Embora a reforma tenha introduzido pequenas alterações, o calendário manteve-se fundamentalmente baseado na mesma teoria geocêntrica do seu antecessor.[3]

A reforma foi inicialmente adoptada nos países Católicos da Europa e nas suas possessões ultramarinas. Ao longo dos três séculos seguintes, os países Protestantes e Cristãos Ortodoxos adotaram-no gradualmente, embora lhe tenham chamado "Calendário Melhorado" para evitar referências ao Catolicismo, sendo a Grécia o último país europeu a adotá-lo (apenas para uso civil) em 1923.Predefinição:Sfnp. Durante o século XX, muitos países não ocidentais também adotaram o calendário, pelo menos para o uso civil.

O calendário espaça anos bissextos de modo a obter um ano médio de 365,2425, aproximando-se do ano solar de 365,2422 dias. A regra para os anos bissextos é: Predefinição:Quote3

Baseia-se na revolução da Terra em torno do Sol de 365,2422 dias, com uma duração de 24 horas, 60 minutos e 60 segundos em anos métricos. O calendário gregoriano fornece uma média temporal para o ano de 365,2425 dias; para garantir um número inteiro de dias por ano, acrescentamos regularmente (97 anos bissextos a cada 400 anos) um dia bissexto, o dia 29 de fevereiro.

Descrição

O calendário gregoriano, tal como o calendário juliano, é um calendário solar com 12 meses de 28 a 31 dias cada. O ano em ambos os calendários consiste em 365 dias, com um dia bissexto adicionado ao mês de fevereiro nos anos bissextos. Os meses e as suas durações no calendário gregoriano são os mesmos do calendário juliano. A única diferença é que o calendário gregoriano omite um dia bissexto em três anos centenários a cada 400 anos e mantém inalterado o dia bissexto.

Os anos bissextos ocorrem normalmente de quatro em quatro anos: historicamente, o dia bissexto era inserido dobrando o dia 24 de fevereiro; aliás, havia dois dias com 24 de Fevereiro. No entanto, durante muitos anos, foi costume colocar o dia extra no final de fevereiro, acrescentando o dia 29 de fevereiro como dia bissexto. Antes da revisão de 1969 do seu Calendário Romano Geral, a Igreja Católica adiava as festas de Fevereiro após o dia 23 num dia nos anos bissextos; as missas celebradas de acordo com o calendário anterior ainda reflectem este atraso.Predefinição:Sfnp

Um ano é dividido em doze meses
Predefinição:Abbr Nome Duração em dias
1 Janeiro 31
2 Fevereiro 28 (29 em ano bissexto)
3 Março 31
4 Abril 30
5 Maio 31
6 Junho 30
7 Julho 31
8 Agosto 31
9 Setembro 30
10 Outubro 31
11 Novembro 30
12 Dezembro 31

Os anos gregorianos são identificados por números de ano consecutivos.[4] Uma data do calendário é totalmente especificada pelo ano (numerado de acordo com uma era do calendário, neste caso “”Anno Domini”” ou Era Comum), o mês (identificado pelo seu nome ou número) e o dia do mês (numerado sequencialmente a partir de 1). Embora o ano civil em curso vá de 1 de janeiro a 31 de dezembro, em épocas anteriores os números dos anos baseavam-se num ponto de partida diferente dentro do calendário (ver secção «início do ano» abaixo).

Os ciclos do calendário repetem-se completamente a cada 400 anos, o que equivale a 146.097 dias.Predefinição:Efn Predefinição:Efn Destes 400 anos, 303 são anos normais de 365 dias e 97 são anos bissextos de 366 dias. Um ano civil médio é Predefinição:Sfrac dias = 365,2425 dias, ou 365 dias, 5 horas, 49 minutos e 12 segundos.Predefinição:Efn

História

Christopher Clavius

O Papa Gregório XIII reuniu um grupo de especialistas para corrigir o calendário juliano. O objetivo da mudança era fazer regressar o equinócio da primavera para o dia 21 de março e desfazer o erro de 10 dias existente na época. A Comissão preparou um documento, o Compendium, em 1577, enviado no ano seguinte aos Príncipes e matemáticos para darem o seu parecer.

Após cinco anos de estudos, foi promulgada a bula papal Inter Gravissimas.[5]

Neste grupo de estudiosos participaram Christopher Clavius[6] (1538-1612) jesuíta alemão, sábio e matemático, Ignazio Danti[7] (1536-1586) dominicano, matemático, astrónomo e cartógrafo italiano e Luigi Giglio [8] (1510-1576) médico, filósofo, astrónomo e cronologista italiano.

A bula pontifícia também determinava regras para impressão dos calendários, com o objetivo de que eles fossem mantidos íntegros e livres de falhas ou erros. Era proibido a todas as gráficas com ou sem intermediários publicar ou imprimir, sem a autorização expressa da Santa Igreja Romana, o calendário ou o martirológio[9] em conjunto ou separadamente, ou ainda de tirar proveito de qualquer forma a partir dele, sob pena de perda de contratos e de uma multa de 100 ducados de ouro a ser paga à Sé Apostólica. A não observância ainda punia o infrator a pena de excomunhão latae sententiae e a outras tristezas.[10]

Oficialmente o primeiro dia deste novo calendário foi 15 de Outubro de 1582.

As mudanças

Detalhe da tumba do papa Gregório XIII celebrando a introdução do calendário gregoriano
  • Em Portugal, a aplicação da Bula da Reforma gregoriana e o calendário gregoriano entrou em vigor na data determinada pela Santa Sé em virtude de uma lei de Filipe I de Portugal, assinada em Lisboa, a 20 de setembro do mesmo ano, e escrita em português de acordo com as garantias aprovadas nas Cortes de Tomar de 1581, quando foi proclamado rei de Portugal.[11]
  • Foram omitidos dez dias do calendário juliano, deixando de existir os dias de 5 a 14 de outubro de 1582. A bula ditava que o dia imediato à quinta-feira, 4 de outubro, fosse sexta-feira, 15 de outubro.[12]
  • Os anos seculares só são considerados bissextos se forem divisíveis por 400. Desta forma a diferença (atraso) de três dias em cada quatrocentos anos observada no calendário juliano desaparecem.[5]
  • Corrigiu-se a medição do ano solar, o ano gregoriano dura em média 365 dias, 5 horas, 49 minutos e 12 segundos, ou seja, 27 segundos a mais do que o ano trópico.[5]

Críticas

O calendário gregoriano apresenta alguns defeitos, tanto sob o ponto de vista astronômico, como no seu aspecto prático. Por exemplo, o número de dias de cada mês é irregular (28 a 31 dias); além disso a semana, adotada quase universalmente como unidade laboral de tempo, não se encontra integrada nos meses e muitas vezes fica repartida por dois meses diferentes, prejudicando a distribuição racional do trabalho e dos salários.[5]

Outro problema é a mobilidade da data da Páscoa, que oscila entre 22 de março e 25 de abril, perturbando a duração dos trimestres escolares e de numerosas outras atividades econômicas e sociais.[5]

Aceitação

Erro de script: Nenhum módulo desse tipo "Labelled list hatnote". A mudança para o calendário gregoriano deu-se ao longo de mais de três séculos. Primeiramente foi adotado por Portugal, Espanha, Itália e Polônia; e de modo sucessivo, pela maioria dos países católicos europeus. Os países onde predominava o luteranismo e o anglicanismo tardariam a adotá-lo, caso da Alemanha (Baviera, Prússia e demais províncias) (1700) e Grã-Bretanha (Inglaterra e País de Gales) (1752). A adoção deste calendário pela Suécia foi tão problemática que até gerou o dia 30 de fevereiro. A China aprovou-o em 1912, a Bulgária em 1916, a Rússia em 1918, a Roménia em 1919, a Grécia em 1923 e a Turquia em 1926.[13]

Predefinição:Cronologia da adopção do calendário gregoriano

Alguns povos conservam outros calendários para uso religioso inclusive com cronologia diferente da adotada pela Igreja Católica Romana. Conforme proposta feita por Dionísius Exiguus[14] (470 - 544) monge romeno o marco inicial da cronologia cristã tem como data o ano do nascimento de Cristo.[15]

Segundo o calendário gregoriano, hoje é 4 de junho de 2026. Para esta mesma data outros calendários apontam anos diferentes, como: Ab urbe condita 2779; Calendário Babilônico 6776; Calendário bahá'í 182–183; Calendário budista 2570; Calendário hebreu 5786–5787; Calendário hindu Vikram Samvat 2082–2083; Calendário hindu Shaka Samvat 1948–1949; Calendário hindu Kali Yuga 5127–5128; Calendário Holoceno 12026; Calendário iraniano 1404–1405; Calendário Islâmico 1447–1448 entre outros.

Dias, semanas e meses

Divisão do Calendário
Mês Dias
1 Janeiro 31
2 Fevereiro 28 ou 29 (apenas em anos bissextos)
3 Março 31
4 Abril 30
5 Maio 31
6 Junho 30
7 Julho 31
8 Agosto 31
9 Setembro 30
10 Outubro 31
11 Novembro 30
12 Dezembro 31
Nomes dos dias da semana [16]
Latim
1 domingo Dies Dominica aut Solis dies (Dia do

Senhor ou Dia do Sol)

2 segunda-feira Lunae dies (Dia da Lua)
3 terça-feira Martis dies (Dia de Marte)
4 quarta-feira Mercurii dies (Dia de

Mercúrio)

5 quinta-feira Jovis dies (Dia de Júpiter)
6 sexta-feira Veneris dies (Dia de Vénus)
7 sábado Saturni dies (Dia de Saturno)

Dia: é a unidade fundamental de tempo adotada pelo calendário gregoriano. Um dia é equivalente a 86 400 segundos de Tempo Atômico Internacional (TAI).[17]

Semana: é um período de 7 dias.[18]

O primeiro dia da semana é o Domingo, a segunda-feira é o segundo dia da semana e o primeiro dia útil.

Nomes dos mesesː[19]

  • Janeiro: Jano, deus romano das portas, passagens, inícios e fins.
  • Fevereiro: Fébruo, deus etrusco da morte; Februarius (mensis), "Mês da purificação" em latim, parece ser uma palavra de origem sabina e o último mês do calendário romano anterior a 45 a.C.. Relacionado com a palavra "febre".
  • Março: Marte, deus romano da guerra.
  • Abril: É o quarto mês do calendário gregoriano e tem 30 dias. O seu nome deriva do latim April, que significa abrir, numa referência à germinação das culturas. Outra hipótese sugere que Abril seja derivado de Apro, o nome etrusco de Vénus, deusa do amor e da paixão. Além de ser o único mês que termina com "L" em vez de "O".
  • Maio: Maia Maiestas, deusa romana.
  • Junho: Juno, deusa romana, esposa do deus Júpiter.
  • Julho: Júlio César, general romano. O mês era anteriormente chamado Quíncio, o quinto mês do calendário de Rómulo.
  • Agosto: Augusto, primeiro imperador romano. O mês era anteriormente chamado Sêxtil, o sexto mês do calendário de Rómulo.
  • Setembro: septem, "sete" em latim; o sétimo mês do calendário de Rómulo.
  • Outubro: octo, "oito" em latim; o oitavo mês do calendário de Rómulo.
  • Novembro: novem, "nove" em latim; o nono mês do calendário de Rómulo.
  • Dezembro: decem, "dez" em latim; o décimo mês do calendário de Rómulo.

ISO 8601

A norma ISO 8601 emitida pela Organização Internacional para Padronização (International Organization for Standardization, ISO) é utilizada para representar data e hora. Especificamente esta norma define: “Elementos de dados e formatos de intercâmbio para representação e manipulação de datas e horas”.[20]

Ver também

Notas


Referências

  1. Agostino Borromeo (). "Gregorio XIII". '. Acessado em 13 de fevereiro de 2012. Disponível em: http://www.treccani.it/enciclopedia/gregorio-xiii_(Enciclopedia_dei_Papi)/.
  2. Richards, E. G. (2013). Urban, Sean E.; Seidelmann, P. Kenneth (eds.). Explanatory Supplement to the Astronomical Almanac (3rd ed.). Mill Valley, Calif: University Science Books. ISBN 978-1-891389-85-6, p. 595
  3. Predefinição:Cite book
  4. Cláusula 3.2.1 ISO 8601
  5. 5,0 5,1 5,2 5,3 5,4 Manuel Nunes Marque (). "Calendário Gregoriano". '. Acessado em 10 de fevereiro de 2012. Disponível em: http://www.ufrgs.br/museudetopografia/Artigos/Calend%C3%A1rios_gregoriano_6.pdf.
  6. The Catholic Encyclopedia (). "Christopher Clavius". '. Acessado em 11 de fevereiro de 2012. Disponível em: http://www.newadvent.org/cathen/04009a.htm.
  7. (). "Catholic Encyclopedia (1913)/Aloisius Lilius". '. Acessado em 25 de fevereiro de 2016. Disponível em: http://en.wikisource.org/wiki/Catholic_Encyclopedia_(1913)/Aloisius_Lilius.
  8. (). "Catholic Encyclopedia (1913)/Aloisius Lilius". '. Acessado em 11 de fevereiro de 2012. Disponível em: http://en.wikisource.org/wiki/Catholic_Encyclopedia_(1913)/Aloisius_Lilius.
  9. Èulogos (). "Conferenza Stampa Di Presentazione Del Nuovo Martirologio Romano". '. Acessado em 13 de fevereiro de 2012. Disponível em: http://www.intratext.com/X/ITA0476.HTM.
  10. Papa Gregório XIII (1582). "Inter Gravissimas". '. Acessado em 11 de fevereiro de 2012. Disponível em: http://www.bluewaterarts.com/calendar/NewInterGravissimas.htm.
  11. Filipe I, rei de Portugal (). "Lei de adopção do calendário gregoriano". '. Acessado em 17 de maio de 2025. Disponível em: {{{url}}}.
  12. (). "Calendário Gregoriano". '. Acessado em 26 de dezembro de 2016. Disponível em: {{{url}}}.
  13. Edição especial do Correio da Manhã - "Os Papas - De São Pedro a João Paulo II" - Fascículo X, "Gregório XIII, o Papa que acertou o calendário", página 219, ano 2005.
  14. The Catholic Encyclopedia (). "Dionysius Exiguus". '. Acessado em 11 de fevereiro de 2012. Disponível em: http://www.newadvent.org/cathen/05010b.htm.
  15. Ricardo Moretz Sohn (fevereiro de 2000). "Tempo, o que serás tu?". '. Acessado em 13 de fevereiro de 2013. Disponível em: https://sites.google.com/site/richardmsohn/tempo.
  16. Marina Motomura (). "Por que os dias da semana têm "feira" no nome?". '. Acessado em 11 de fevereiro de 2012. Disponível em: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/por-que-os-dias-da-semana-tem-feira-no-nome.
  17. BIPM (). "International Atomic Time (TAI)". '. Acessado em 13 de fevereiro de 2012. Disponível em: http://www.bipm.org/en/scientific/tai/.
  18. Antonio Luiz M. C. Costa (). "A origem dos sete dias". '. Acessado em 13 de fevereiro de 2012. Disponível em: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1827108-EI6607,00.html.
  19. Mundo Estranho (). "Qual é a origem dos nomes dos meses?". '. Acessado em 11 de fevereiro de 2012. Disponível em: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/qual-e-a-origem-dos-nomes-dos-meses.
  20. International Organization for Standardization (). "Numeric representation of dates and time". '. Acessado em 11 de setembro de 2012. Disponível em: http://www.iso.org/iso/support/faqs/faqs_widely_used_standards/widely_used_standards_other/date_and_time_format.htm.

Bibliografia

  • (). "Luigi Lilio and the Gregorian reform of the calendar". Sky and Telescope. ISSN .
  • (1966). Handy Book of Rules and Tables for Verifying Dates within the Christian Era. : . ISBN .

Ligações externas

Predefinição:Commons

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