Questão prejudicial

De Dicionário Brasileiro de Linguagem Jurídica
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   Questão prejudicial
ID Semântico: http://lexml.gov.br/vocab/questao-prejudicial
Classe: Conceito Geral
Nível Técnico:
       
         Especializado
       
Origem do Termo: Português
Áreas de Foco: Direito Administrativo, Direito Processual Civil, Direito Civil, Teoria Geral do Direito, Direito Processual Penal, Direito Processual
Jurisdição: Brasil
Progresso do texto
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12.5% concluído Básico
25% concluído 25% concluído Criação
37.5% concluído Desenvolvimento
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62.5% concluído Revisão
75% concluído 75% concluído Desenvolvido
87.5% concluído Finalização
100% concluído 100% concluído Abrangente

Significado Prático

  • Direito processual civil.* a) *Vide* EXCEÇÃO PREJUDICIAL; b) controvérsia de direito material que, além de antecedente lógico da decisão da causa, pode ser objeto de ação autônoma (Othon Sidou); c) aquela cuja solução é imprescindível para a decisão de uma outra, que é a principal. É a que deve ser decidida antes da questão principal da causa, por ser relevante ou decisiva na solução do litígio. **2.** *Direito processual penal.* a) Exceção que suspende o julgamento de um crime ou contravenção, até a verificação de um fato anterior, cuja apreciação é condição indispensável àquele julgamento (Faustin Hélie); b) questão que reclama decisão anterior à do mérito (Cardoso de Melo); c) antecedente lógico-jurídico do crime que pode ser discutido numa ação independente; d) questão jurídica que é pressuposto da decisão da controvérsia principal posta em juízo, no curso da ação penal, que ficará suspensa desde que verse sobre estado civil das pessoas, até que no cível seja a controvérsia dirimida, sem prejuízo da inquirição das testemunhas e de outras provas de natureza urgente. **3.** *Direito administrativo.* É a que deve ser submetida a outra ordem de jurisdição (Rivero), logo o juiz da ação principal deve sobrestar sua decisão e esperar a de outro magistrado (Vedel). Por exemplo: questão de apreciação da legalidade do ato administrativo (Waline). **4.** Na *linguagem jurídica* em geral, pode significar: a) a que prejudica; b) a que torna ineficaz; c) a que anula; d) a que prejulga; e) a que se antepõe a outra questão, para torná-la inefetiva.
  • Nota Adicional:* 1. (dir.prc.civ.) a) v. EXCEÇÃO PREJUDICIAL; b) controvérsia de direito material que, além de antecedente lógico da decisão da causa, pode ser objeto de ação autônoma (Othon Sidou); c) aquela cuja solução é imprescindível para a decisão de uma outra, que é a principal. É a que deve ser decidida antes da questão principal da causa, por ser relevante ou decisiva na solução do litígio. 2. (dir.prc.pen.) a) Exceção que suspende o julgamento de um crime ou contravenção, até a verificação de um fato anterior, cuja apreciação é condição indispensável àquele julgamento (Faustin Hélie); b) questão que reclama decisão anterior à do mérito (Cardoso de Melo); c) antecedente lógico-jurídico do crime que pode ser discutido numa ação independente; d) questão jurídica que é pressuposto da decisão da controvérsia principal posta em juízo, no curso da ação penal, que ficará suspensa desde que verse sobre estado civil das pessoas, até que no cível seja a controvérsia dirimida, sem prejuízo da inquirição das testemunhas e de outras provas de natureza urgente. 3. (dir.adm.) É a que deve ser submetida a outra ordem de jurisdição (Rivero), logo o juiz da ação principal deve sobrestar sua decisão e esperar a de outro magistrado (Vedel). Por exemplo: questão de apreciação da legalidade do ato administrativo (Waline). 4. Na linguagem jurídica em geral, pode significar: a) a que prejudica; b) a que torna ineficaz; c) a que anula; d) a que prejulga; e) a que se antepõe a outra questão, para torná-la inefetiva
  • Nota Adicional (Fonte: Dicionário Jurídico – Washington dos Santos):* Quórum em juízo civil, depende da apreciação do partes hábeis, de conformidade com o art. caso principal, à qual se acha sujeita, e, 1.773 do CC, deverão constar evidentemenquando esta é concluída favoravelmente, te os legados hereditários. obstrui a consideração de mérito, prejudi-
  • Nota Adicional (Fonte: Vocabulário Jurídico De Plácido e Silva):* No sentido jurídico, prejudicial quer exprimir que causa dano, que prejudica . Na expressão questão prejudicial , o qualificativo traz o sentido: que anula, que torna ineficaz, que tira eficácia, que prejulga . A questão prejudicial , portanto, é a que surge para antepor-se ou contrapor-se a outra questão, a fim de anular ou tornar ineficaz qualquer influência dela. Assim sendo, o seu reconhecimento ou a sua aceitação como procedente e certa tem a influência ou a eficácia de tornar desnecessária a decisão da outra questão a que se antepôs. A questão prejudicial aventada, justamente, em oposição a outra questão, em discussão na causa, para lhe tirar o efeito ou para que possa ser admitida como procedente na solução da causa. E porque se mostre em oposição a outra questão, tendo a solução dela influência de anular ou prejudicar o conhecimento da outra questão, a questão prejudicial é, preferentemente, solucionada, isto é, deve ser conhecida e decidida antes da outra questão, mesmo que a principal da causa. No entanto, a questão prejudicial exerce esta influência quando, realmente, se mostra de efeito decisivo em relação a outra questão, de modo que qualquer solução que possa ser dada a esta se apresenta incompatível com a que se deu nela. A questão prejudicial , neste caso, não sendo embora a questão principal ou a questão em que se debate o mérito ou a matéria principal da causa, revela-se questão relevante, desde que exerce influência decisiva na solução da causa. Mas, quando o sentido de prejudicial não vai até os efeitos da decisão que possa ser dada à questão, limitando-se à indicação de um conhecimento ou decisão preliminar , deve ser, também, decidida a questão principal . O sentido da prejudicialidade , atribuído à questão, resulta numa dupla significação: na de preliminariedade , para que se conheça e decida antes que qualquer outra questão, e a de prejudicialidade , propriamente, quando a decisão tomada a respeito dela torna impossível qualquer decisão à outra questão. Somente será, efetivamente, prejudicial , quando a solução que lhe for dada tenha decidido , indiretamente, a dúvida acerca da questão principal, prejulgando-a. A questão prejudicial não se confunde com a ação prejudicial , fundada em contestação acerca do estado das pessoas. As ações prejudiciais (praejudiciales actiones) têm função própria, visando a garantir as relações jurídicas que se geram dos estados da pessoa. São, pois, questões de estado (quaestiones status) propriamente.
  • Doutrina Constitucional (Fonte: O Controle de Constitucionalidade no Direito Brasileiro - Luís Roberto Barroso):*

A segunda característica a ser destacada no controle incidental é que o reconhecimento da inconstitucionalidade da lei não é o objeto da causa, não é a providência postulada. O que a parte pede no processo é o reconhecimento do seu direito, que, todavia, é afetado pela norma cuja validade se questiona. Para decidir acerca do direito em discussão, o órgão judicial precisará formar um juízo acerca da constitucionalidade ou não da norma. Por isso se diz que a questão constitucional é uma questão prejudicial: porque ela precisa ser decidida previamente, como pressuposto lógico e necessário da solução do problema principal11.

Veja-se um exemplo. Suponha-se que um Município haja instituído um tributo sem observância do princípio da legalidade, e que um contri­buinte se tenha recusado a pagá-lo. A autoridade municipal irá, então, autuá-lo, inscrever a dívida e instaurar um processo de execução de seu crédito tributário. O contribuinte, em sua defesa, poderá oferecer embargos de devedor, argumentando que a cobrança é fundada em lei inconstitucional. O objeto dessa ação de embargos é determinar se o tributo é devido ou não. Todavia, para formar sua convicção, o julgador terá de decidir, previamente, se a lei que criou o tributo é ou não constitucional. Esta é a questão preju­dicial que subordina o raciocínio que ele precisa desenvolver. Estabe­lecida a premissa lógica da decisão, ele julgará o mérito, condenando o contribuinte ao pagamento ou exonerando-o de fazê-lo, consoante tenha considerado a lei válida ou inválida.

Outro exemplo, envolvendo uma relação de locação. Imagine-se que uma lei venha a modificar o critério de cálculo dos aluguéis, tendo previsto sua incidência imediata, inclusive sobre os contratos em curso. Um locatário, prejudicado pela mudança, recusa-se a pagar a majoração, afirmando que a nova lei afeta o ato jurídico perfeito. O proprietário do imóvel ingressa em juízo, formulando pedido de condenação do locatário ao pagamento do valor integral do aluguel, tal como decorrente da lei. Para julgar a causa, o juiz precisará pronunciar-se, incidentalmente, acerca da constitucionalidade ou não da lei que interferiu com o valor do aluguel a ser pago. Só então poderá decidir o objeto da ação, que consiste em determinar se é ou não devida a diferença de aluguel.

Simplificação de Linguagem (Lei 15.263/2025)

Abaixo, a comparação prática de aplicação do termo sob a ótica do acesso à justiça:

Redação Formal (Juridiquês) Redação Cidadã (Linguagem Simples)
"Ocorreu a aplicação de QUESTÃO PREJUDICIAL nos autos do processo." "Ocorreu o uso prático de QUESTÃO PREJUDICIAL de forma direta e acessível no caso."

Detalhes Classificatórios

  • Áreas do Direito associadas: Direito Administrativo, Direito Processual Civil, Direito Civil, Teoria Geral do Direito, Direito Processual Penal, Direito Processual
  • Classe Terminológica: Conceito Geral
  • Natureza Jurídica: Definição Doutrinária
  • Nível Técnico sugerido: Especializado

Aspectos Linguísticos

  • Idioma originário: Português
  • Etimologia: Origem da linguagem jurídica.
  • Pronúncia ou leitura recomendada: questão prejudicial

Referência Bibliográfica

  • Dicionário Brasileiro de Linguagem Jurídica (EPUB 3.3) — Q.xhtml | Wikibooks: Dicionário Brasileiro de Linguagem Jurídica | Dicionário Jurídico – Washington dos Santos | Vocabulário Jurídico De Plácido e Silva | O Controle de Constitucionalidade no Direito Brasileiro - Luís Roberto Barroso