De bom alvitre

De Dicionário Brasileiro de Linguagem Jurídica
Ir para navegaçãoIr para pesquisar
   De bom alvitre
ID Semântico: migalhas:de-bom-alvitre
Classe: Conceito Geral
Nível Técnico:
       
         Geral
       
Origem do Termo: Português
Áreas de Foco: Teoria Geral do Direito, Linguagem e Redação Jurídica
Jurisdição: Brasil
Progresso do texto
0% concluído 0% concluído Início
12.5% concluído Básico
25% concluído 25% concluído Criação
37.5% concluído Desenvolvimento
50% concluído 50% concluído Maturação
62.5% concluído Revisão
75% concluído 75% concluído Desenvolvido
87.5% concluído Finalização
100% concluído 100% concluído Abrangente

Significado Prático

&l;p&g;É uma expressão vetusta, ainda utilizada em contextos formais ou literários, para se referir a algo considerado uma boa escolha ou apropriado. "Alvitre" vem do latim "arbitrium", que significa "conselho", "proposta" ou "sugestão". Machado de Assis faz uso frequente do substantivo. Uma passagem notável, que dispensa apresentações, é: "&l;em&g;Capitu temia a nossa separação, mas acabou aceitando este &l;strong&g;alvitre&l;/strong&g;, que era o melhor&l;/em&g;." Rui Barbosa também o empregou mais de quatrocentas vezes. Em uma passagem, bem a seu estilo, ele disse: "&l;em&g;Se lhe repugna o &l;strong&g;alvitre&l;/strong&g;, faça da necessidade virtude&l;/em&g;." Embora ambos os imortais tenham usado o substantivo isoladamente, segundo nos parece, nunca utilizaram a expressão "de bom alvitre", que significa que é prudente ou recomendável. Esta expressão foi usada, talvez pela primeira vez, pelo Visconde do Rio Branco, num debate parlamentar em 15 de julho de 1874. O pai do Barão do Rio Branco teria dito, em resposta ao Senador Zacarias: "&l;em&g;Acompanho, portanto, o nobre senador nessa dúvida; entendo que seria &l;strong&g;de bom alvitre&l;/strong&g; devolver o projeto à comissão respectiva, para que, ouvido o nobre ministro da Justiça, nos dê um parecer completo&l;/em&g;." Desde então, tornou-se comum dizer, por exemplo, que "seria de bom alvitre verificar os detalhes antes de assinar o contrato", sugerindo que é sensato fazer uma revisão antes de se comprometer. A ministra Cármen Lúcia já usou a expressão: "&l;em&g;Nessa toada, é &l;strong&g;de bom alvitre&l;/strong&g; citar o teor do art. 102, § 2º da Constituição Federal&l;/em&g;" (AR 2928); assim como a ministra Maria Thereza de Assis Moura: "&l;em&g;É &l;strong&g;de bom alvitre&l;/strong&g; que o STF analise esse caso&l;/em&g;" (REsp 1.468.224). Para simplificar, seria - com o perdão da ironia - de bom alvitre substituir a expressão por "aconselhável", "prudente", "recomendável" ou "apropriado". Apenas evite usar coloquialismos como "boa pedida" ou "cai bem" em contextos formais.&l;/p&g;

  • Alternativas recomendadas:* aconselhável | prudente | recomendável | apropriado
  • Nota Adicional (Fonte: DPE - Dicionário de Péssimas Expressões - Migalhas):*

É uma expressão vetusta, ainda utilizada em contextos formais ou literários, para se referir a algo considerado uma boa escolha ou apropriado. "Alvitre" vem do latim "arbitrium", que significa "conselho", "proposta" ou "sugestão". Machado de Assis faz uso frequente do substantivo. Uma passagem notável, que dispensa apresentações, é: "*Capitu temia a nossa separação, mas acabou aceitando este **alvitre**, que era o melhor*." Rui Barbosa também o empregou mais de quatrocentas vezes. Em uma passagem, bem a seu estilo, ele disse: "*Se lhe repugna o **alvitre**, faça da necessidade virtude*." Embora ambos os imortais tenham usado o substantivo isoladamente, segundo nos parece, nunca utilizaram a expressão "de bom alvitre", que significa que é prudente ou recomendável. Esta expressão foi usada, talvez pela primeira vez, pelo Visconde do Rio Branco, num debate parlamentar em 15 de julho de 1874. O pai do Barão do Rio Branco teria dito, em resposta ao Senador Zacarias: "*Acompanho, portanto, o nobre senador nessa dúvida; entendo que seria **de bom alvitre** devolver o projeto à comissão respectiva, para que, ouvido o nobre ministro da Justiça, nos dê um parecer completo*." Desde então, tornou-se comum dizer, por exemplo, que "seria de bom alvitre verificar os detalhes antes de assinar o contrato", sugerindo que é sensato fazer uma revisão antes de se comprometer. A ministra Cármen Lúcia já usou a expressão: "*Nessa toada, é **de bom alvitre** citar o teor do art. 102, § 2º da Constituição Federal*" (AR 2928); assim como a ministra Maria Thereza de Assis Moura: "*É **de bom alvitre** que o STF analise esse caso*" (REsp 1.468.224). Para simplificar, seria - com o perdão da ironia - de bom alvitre substituir a expressão por "aconselhável", "prudente", "recomendável" ou "apropriado". Apenas evite usar coloquialismos como "boa pedida" ou "cai bem" em contextos formais.

  • Alternativas recomendadas:* aconselhável | prudente | recomendável | apropriado

Simplificação de Linguagem (Lei 15.263/2025)

Abaixo, a comparação prática de aplicação do termo sob a ótica do acesso à justiça:

Redação Formal (Juridiquês) Redação Cidadã (Linguagem Simples)
"O peticionário utilizou 'De bom alvitre' na peça processual de forma pomposa." "Recomenda-se simplificar substituindo por: aconselhável | prudente | recomendável | apropriado."

Detalhes Classificatórios

  • Áreas do Direito associadas: Teoria Geral do Direito, Linguagem e Redação Jurídica
  • Classe Terminológica: Conceito Geral
  • Natureza Jurídica: Definição Conceitual
  • Nível Técnico sugerido: Geral

Aspectos Linguísticos

  • Idioma originário: Português
  • Etimologia: Crítica à linguagem empolada e prolixa no direito.
  • Pronúncia ou leitura recomendada: de bom alvitre

Referência Bibliográfica

  • DPE - Dicionário de Péssimas Expressões - Migalhas